Fique de Olho
Por que são construídos tantos condomínios no Alto da Boa Vista?
Assistimos desde o início da década de 90 uma profunda alteração no bairro do Alto da Boa Vista. A cada ano, vimos nascer na porta da nossa casa um novo condomínio. O bairro foi o precursor na construção de vilas e com isso grande parte da nossa exuberante vegetação já se foi. A região que era valorizada pelas suas árvores e por ser zona exclusivamente residencial, de alto padrão, aos poucos foi perdendo o que as grandes incorporadoras mais vendem em seus projetos: a vista para o verde.
Os empreendedores de forma a maximizar a lucratividade do empreendimento, constróem nos lotes um número de residências muito além daquilo condizente às características do bairro e à infra-estrutura existente.
Entre 1998 e 2003, constatou-se que onde existiam 23 residências familiares, foram construídas 248 residências, sem que se tivesse dotado o bairro de infra-estrutura compatível a adensamento dessa dimensão. Hoje já perdemos as contas.
O que atualmente se verifica é um adensamento populacional, aumento do trânsito, redução da área permeável da superfície do solo, comprometimento do aqüífero existente (especialmente em razão da construção irresponsável de garagens subterrâneas), entre outros problemas.
Há um forte impacto ambiental, com a perda de flora e de fauna e com influências para o subsolo e para o clima local. Sem as árvores a água não chega ao aqüífero. A vegetação também ajuda a diminuir o calor, sem ela aumenta o calor na região e em São Paulo. Isto significa que estamos perdendo uma das defesas contra as mudanças mais amplas de clima.
Temporais como os que experimentamos em Abril de 2005, voltarão a ocorrer, sem o solo permeável e sem as árvores as conseqüências são previsíveis, ainda mais quando as galerias de água de chuva são antigas.
Os condomínios têm sido construídos segundo normas muito mais brandas do que se exige de residências isoladas em termos: da área construída em relação ao tamanho do lote, em termos dos recuos necessários e da altura, todos estes elementos básicos para se garantir a privacidade dos vizinhos bem como o acesso das residências a iluminação natural.
Alguns exemplos: 1. Muros que ultrapassam a altura máxima de 3,00 metros, chegando a exceder 4,00 ou mais metros de altura, prejudicando a ventilação e a entrada do sol nas residências adjacentes, um direito garantido pelo código de obras numa zona Z1; 2. Recuos praticamente inexistentes, uma casa encostada na outra e rentes à divisa do terreno, jogando sombra adicional nas residências adjacentes que são obrigadas a seguir o código de obras da Z1; 3. A altura total do imóvel, do ponto mais baixo até a cumeeira, chegando a 12 metros, completamente fora dos parâmetros exigidos na Z1; 4. Em vista do exposto no item anterior, as residências nos condomínios horizontais chegam a ter 3 ou mais pavimentos, distorcendo o visual e descaracterizando arquitetonicamente o bairro.
A SABABV não é contra condomínios, mas gostaria que estes seguissem as mesmas leis de construção impostas às residências unifamiliares. Para a conservação do Alto da Boa Vista, devemos exigir que a Prefitura, em particular a Secretaria da Habitação responsável pela aprovação dos empreendimentos, cumpra a lei e respeite as condições impostas para a construção de novos condomínios no novo Plano Diretor Regional.